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Foto: Paulo Eduardo Antunes Grijó
Paulo Eduardo promovendo a
sustentabilidade no surf
Idéia consciente
O pesquisador, Paulo Eduardo Antunes Grijó, tirou de onde a maioria acredita ser o exemplo mais concreto da inutilidade, o lixo, a inspiração para uma iniciativa pioneira na indústria do surf. A frente do projeto Marbras et Mundi, esse carioca luta há mais de dez anos para tentar implantar um sistema sustentável na produção do item principal do esporte, a prancha. Isso por que a falta de mobilização e informação faz da confecção desse objeto algo extremamente nocivo ao meio ambiente. Para se ter uma idéia, uma prancha pode gerar em seu processo fabril mais de cinco quilos de lixo tóxico. Na entrevista a seguir, Paulo explica a inovadora iniciativa e faz um alerta: “A poluição deste setor é muito séria e se não tomarmos uma decisão responsável, em um futuro próximo nossa indústria estará ameaçada”.


Por: Vinicius Di Giacomo
Fotos: Arquivo – Paulo Eduardo Antunes Grijó
Publicado em: 09/2007

Foto: Paulo Eduardo Antunes Grijó
Bloco de poliuretano reciclado


O que é o projeto Marbras et Mundi?
O projeto tem a proposta de reciclagem dos resíduos gerados na fabricação de pranchas de surf evoluindo para a construção e formatação de um modelo de produção sustentável.
                
No seu estudo você aponta uma grande deficiência no gerenciamento do lixo produzido no processo de confecção de pranchas. Quais os danos que esses resíduos podem causar a natureza?
Olha, são muitos e se eu for descrever todos necessitaria de um livreto, mas é incontestável que sendo um lixo inflamável e tóxico ele não poderia ser descarregado pela coleta domiciliar e enterrado em aterros simples e lixões. Este procedimento equivocado gera impactos irreversíveis no solo e nos lençóis freáticos.

Foto: Paulo Eduardo
Antunes Grijó
Blocos de concreto que
levam em sua composição
resíduos utilizados na
fabricação de pranchas

Essa realidade se restringe somente ao Brasil?
Não, infelizmente. Mas o projeto Marbras et Mundi vem desde o ano de 2000 disseminando a sustentabilidade para estudantes, surfistas, fabricantes e pesquisadores do Brasil e de diversos países. Nossa preocupação não é monopolizar o conhecimento e sim estimular novas intervenções ao redor do planeta, para que esse problema seja eliminado.

De que maneira um sistema sustentável pode ser aplicado na indústria do surf?
A idéia matriz é que as fábricas de pranchas de surf se disponham a realizar em suas instalações, um processo de gestão ambiental, para poder obter uma certificação e um selo ecológico criando no mercado um produto diferenciado, com benefícios éticos, ambientais, sociais e econômicos.

Em que produtos estes resíduos poderiam ser transformados no processo de reciclagem?
É possível utilizar estes resíduos como substituto parcial de agregados, na fabricação de blocos de concreto, para a construção civil; incorporá-los com resinas, após pulverização dos rejeitos, para produção de uma blenda de poliuretano recuperado, que pode ser empregada na produção de pranchas de surf genéricas ou painéis de isolamento termo-acústico, utilizado em casas noturnas ou estúdios de gravação. Os produtos citados também podem ser produzidos através de termo-prensagem, sendo o processo mais clean, por não utilizar água ou qualquer tipo de insumo e demandar pouca energia.

Foto: Paulo Eduardo Antunes Grijó
Efluentes quimicos na rede de esgoto

É possível estimar a quantidade de resíduos produzidos na confecção de pranchas anualmente no Brasil. Quantos blocos de concretos poderiam ser produzidos com esse montante?
No Brasil são produzidas anualmente cerca de 50.000 pranchas de surf e de 50 a 70% do material consumido no processo produtivo é descartado. Este montante corresponde a um prejuízo financeiro superior a US$ 7.000.000 e mais de 380 toneladas de substâncias tóxicas e inflamáveis depostas nos "lixões", sem qualquer tratamento ambiental. Tive a oportunidade de realizar um estudo onde estimei que 107 toneladas (geração bruta de Florianópolis em 2001) de resíduos viabilizam a produção de 180 mil blocos de concreto, com uma lucratividade de aproximadamente 10%. Economicamente estes números são excelentes.

Esse processo já é utilizado na prática?
Não, apenas em escala laboratorial, mas foi feito um amplo estudo de viabilidade técnica e econômica, aprovado pela UFSC, FINEP e SEBRAE.

Com resultados tão positivos, porque o projeto ainda sofre com a falta de apoio?
A não implementação do projeto Marbras é um fenômeno cultural, pois infelizmente existe uma priorização dos investimentos aplicados no surf em ações que envolvem a mídia, moda, campeonatos, festas, baladas, concursos de biquíni e nada mais.

Foto: Paulo Eduardo Antunes Grijó
Lixo produzido e acumulado na confecção
de pranchas em fábricas e oficinas.

Se a falta dessas medidas de proteção persistir quais as conseqüências que o surf pode sofrer?
 A tendência é que a fiscalização ambiental aperte o cerco com medidas coercitivas. Poderíamos adotar uma atitude preventiva e não ficar esperando que um organismo ambiental, siga o exemplo da EPA (referência mundial em fiscalização e controle ambiental), quando cerrou as portas da Clark Foam, na Califórnia. A poluição deste setor é muito séria.

Que conselho você daria aos profissionais que atuam nesta área? Se não adequarmos à produção das pranchas ou lançarmos alternativas mais sustentáveis, num período mínimo de três anos algum embargo acontecerá. É preciso tomar uma atitude e aproveitar que já existe uma solução prática e construída com bases científicas.

 
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